Até o final do ano, o Projeto EU TENHO VOZ será realizado nas escolas públicas da cidade

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O projeto EU TENHO VOZ está crescendo. Neste segundo semestre a iniciativa do Instituto Paulista dos Magistrados (IPAM) alcançará também as escolas públicas da cidade de Guarulhos. Um dos diferenciais desse projeto é a capacitação feita com os professores e educadores para que possam lidar com a questão da violência e do abuso sexual da maneira eficaz.  Por isso, nos dias 20 e 21 de setembro, IPAM realizou o “Curso de Capacitação Básica para Prevenção e Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes”. O curso é resultado da parceria entre o IPAM e a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SECEL) de Guarulhos, por meio do Projeto Escola 360 – Um programa de Governo. A capacitação foi desenvolvida pelo IPAM em conjunto com a Coordenadoria de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) e o Centro de Referência das Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae (CNRVV).

Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, presidente do Instituto, conta que o objetivo do curso é promover uma compreensão ampliada dos fenômenos que geram o conflito e a violência, e conscientizar sobre todos os fatores relacionais, institucionais e sociais que motivam o abuso. “Após as primeiras apresentações do projeto, nós identificamos que os professores têm papel fundamental no combate e na identificação dos diversos tipos de violência, por serem os agentes mais próximos das crianças e dos adolescentes”, disse. “Nosso curso é uma ferramenta para que os educadores que receberão o Projeto EU TENHO VOZ saibam como detectar os casos existentes, maneiras de encaminhar e métodos para realizar o acompanhamento de atos abusivos ou negligentes praticados contra crianças e adolescentes”.

Durante o curso, cerca de 110 educadores de diferentes níveis escolares participaram de palestras com juízes, psicólogos e assistentes sociais, onde puderam tirar dúvidas e compartilhar situações enfrentadas dia a dia no ambiente escolar.

Para Ana Rita Castanheira, Chefe da Divisão do Programa Escola 360 da SECEL, o material compartilhado pelo IPAM foi essencial para ampliar o entendimento sobre o tema e também entender a maneiras de fortalecer a rede de proteção. “O encontro foi muito produtivo. É dessa forma, mostrando o caminho educativo e preventivo, que nós conseguiremos fortalecer a rede e enfrentar o problema”, disse. “A nossa ideia agora é compartilhar esse conhecimento com outros educadores e levar o Projeto EU TENHO VOZ para as crianças da nossa cidade”, reforçou.

No primeiro dia, Beatriz Braga Lorencini e Arlete Salgueiro Scodelário, profissionais do CNRVV, abriram a capacitação falando com a palestra “Prevenção e Combate à violência doméstica contra crianças e adolescentes”. Durante toda a manhã, as psicólogas deram um panorama sobre os marcos conceituais do problema; a psicodinâmica familiar abusiva; a intervenção transdisciplinar e o trabalho em rede intersetorial. A palestra foi finalizada mostrando o papel da educação na identificação precoce dos casos contra a infância e juventude, apresentando a parceria que existe entre os atores da rede de proteção.

A parte da tarde foi retomada com a apresentação da peça teatral do Projeto EU TENHO VOZ que é realizada nas escolas. No auditório, os educadores assistiram ao espetáculo “Marcas da Infância”, que aborda de forma lúdica a temática e as maneiras de prevenção. No espetáculo desenvolvido pela “Cia, Narrar – Histórias teatralizadas”, três narradoras e 1 músico contam histórias de sua infância e falam sobre marcas de abusos e medos.

A presidente do IPAM explica que através de diferentes linguagens artísticas é possível trabalhar essa temática de uma maneira que a mensagem seja compreendida por crianças e adolescentes. “O teatro, a música e dança abordam de forma ‘leve’ um tema tão complexo. Nós percebemos que ao levar o lúdico para as escolas, nós conseguimos propiciar um ambiente adequado e acolhedor para que as vítimas se vejam nas personagens e saibam que podem denunciar e conversar sobre isso com os professores”, reforça a juíza.

“Até mesmo sem falar de maneira direta sobre um tema que é tão forte, a apresentação lúdica mostra situações cotidianas e as crianças se identificam nas cenas vivenciadas. É impactante”, reforça Ana Rita Castanheira.

Após a apresentação, os professores participaram da palestra “O papel da educação na identificação precoce dos casos e na parceria com os atores da rede de proteção à infância e juventude” e foi realizado um debate mediado pela juíza Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira.

No segundo dia, os educadores puderam tirar dúvidas sobre Cultura de Paz e Escola Restaurativa. Na palestra de abertura, Marcelo Nalesso Salmaso, juiz de Direito, e Andrea Svicero, assistente social e supervisora da Seção Técnica de Justiça Restaurativa da CIJ/TJSP, abordaram o tema “Introdução à Justiça Restaurativa”, explicando os conceitos da justiça restaurativa e mostrando diversas práticas restaurativas que são utilizadas como meios de solução de conflitos e reparação de danos.

No período da tarde, os participantes puderam aprofundar o conhecimento nos tema resolução de conflitos e mediação escolar. A presidente do IPAM ministrou a palestra “Introdução aos métodos consensuais de solução de conflito”, abordando diferentes tipos de linguagem e comunicação; aspectos sociológicos e psicológicos; e formas de resolução dos conflitos, priorizando a escuta ativa e sem julgamentos em todos os níveis.

“Através do entendimento da dinâmica familiar abusiva e dos indicadores comportamentais que mostram o problema da violência e do abuso sexual, é possível identificar as situações em que crianças e adolescentes possam estar sofrendo violência, além de prevenir a revitimização”, enfatiza a juíza Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira.

Para finalizar o curso, a psicóloga Mônica Haydée Galano ministrou a palestra “Mediação Escolar”, mostrando caminhos para usar a mediação como técnica de resolução de conflitos, dando ênfase à importância do diálogo e à comunicação não violenta para que se possa garantir o atendimento e acolhimento adequado para as vítimas.

Durante todo o curso, os educadores discutiram sobre a importância de tratar essa questão nas escolas e na comunidade ao redor, promovendo reflexões, debates e parcerias para enfrentar todas as violências que venham a existir. A expectativa do Instituto Paulista dos Magistrados (IPAM) é que após essa capacitação, os educadores estejam mais sensibilizados com a questão e possam ajudar a prevenir e identificar dentro da comunidade escolar as possíveis vítimas e trabalhar em conjunto com para que os casos cheguem à Justiça, visando assegurar todos os Diretos das Crianças e Adolescentes.

A capacitação aconteceu na Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SECEL), da Prefeitura de Guarulhos e tem apoio do Secretário de Educação, João Carlos Pannocchia.  Nos próximos meses, o Projeto EU TENHO VOZ será realizado em escolas públicas de diferentes regiões da cidade de Guarulhos.

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